Conforme a Embaixada Italiana, no sesquicentenário da imigração, 2024, a Itália tinha 59,4 milhões de habitantes e o Brasil mais de 30,0 milhões de ítalo-brasileiros. É a maior população de raízes italianas fora da Itália. Concentra-se nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo. No início do século 20, o italiano e seus dialetos eram falados por quase metade da população paulistana.
Brasil, segunda metade do século 19: a velha ordem escravista, cruel esteio da economia primário-exportadora brasileira, começa a evoluir para a extinção. A causa abolicionista avança, agrava-se o processo de desagregação do trabalho escravo. Crise crescente de mão de obra, temor de estrangulamento e comprometimento do cultivo e da produção agrícola, especialmente de seu esteio, o café. O admirável historiador Sérgio Buarque de Holanda recorreu a fato extravagante para evidenciar a aflição então reinante: “Entre as propostas mais curiosas para a solução do problema da penúria de braços pode citar-se a de um político e escritor que chegou a sugerir com toda a seriedade a domesticação de macacos, os quais, depois de devidamente adestrados, poderiam eficazmente auxiliar o plantio e a colheita do café.”
Importar mão de obra! Estimular e apoiar a atração de imigrantes, principalmente europeus.
Impactante, a chamada Grande Imigração Italiana para o Brasil (1870-1920) trouxe mais de 1,4 milhão de pessoas. Uma grande aventura decorrente da avassaladora crise italiana de então e movida. à coragem, busca de oportunidade, esperança.
Passagens? Só de vinda. Sonham permanecer, viver melhor, criar raízes, enriquecer, “fazer a América”. Chegam com novo ânimo, trazem novas aptidões. Inclusive as de jovens com potencial empreendedor, como o próprio Francesco Matarazzo, que se torna o maior empreendedor do Brasil e italiano mais rico do mundo.
Integraram-se ao país, atuaram em todos os segmentos da sociedade. Pontificaram no desenvolvimento econômico-social, tecnológico e cultural. Influenciaram usos e costumes, a formação de valores, a religião, o idioma, as artes, a gastronomia, a alimentação. Tudo e muito! Fundaram e fomentaram desde escolas de excelência a organizações políticas e trabalhistas, viabilizaram até mesmo o florescimento do anarquismo. Criaram cidades, fábricas e complexos industriais e comerciais, Trabalharam duro na agropecuária.
Investiram muito, introduziram práticas e técnicas mais avançadas, novos cultivos, como os de grãos e uvas, maravilhas culinárias, como a pizza, o espaguete, o fettuccine e a lasanha, sobremesas como os gelatos e o tiramisu, ótimos queijos e vinhos e muito mais.
Participaram intensa e profundamente da formação, desenvolvimento e modernização do país. Contribuíram em tudo. Contribuem! Há muito da Itália no Brasil.
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*Escritor, economista, homem público, doutor em História pela Sorbonne (Paris IV).
Mineiro de Luz, nascido em 3 de outubro de 1942, quinto dos oito filhos de Francisco Olympio do Couto e Maria José Costa Couto, Ronaldo Costa Couto iniciou e completou o curso primário no Grupo Escolar Sandoval de Azevedo, o ginasial e o científico nos colégios São Rafael (Luz) e Municipal de Belo Horizonte, o universitário na Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, onde lecionou de 1967 a 1974. Cursou planejamento econômico e social no Instituto Latinoamericano de PlanificaciónEconómica y Social (Ilpes), instituição ligada à Organização das Nações Unidas-Comissão Econômica para a América Latina-Cepal, em Santiago do Chile, 1969.
Doutor em história pela Universidade de Paris-Sorbonne (Paris IV) desde
28 de novembro de 1997, data em que sustentou a tese intitulada La transition démocratique auBrésil (1974-85), unanimemente aprovada com a rara menção “TRES HONORABLE avec les félicitations dujury”.
Economista, jornalista, pesquisador e professor universitário. Homem público, foi ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República, inclusive durante toda aAssembleia Nacional Constituinte de 1987-88; ministro de Estado do Interior, ministro de Estado do Trabalho, governador do Distrito Federal (governo Sarney). Superintendente geral do desenvolvimento da Companhia Vale do Rio Doce, coordenador geral do planejamento da Fusão dos antigos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, secretário de Estado de Planejamento do novo estado do Rio de Janeiro (governo Faria Lima). Economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada-Ipea (Iplan) do Ministério do Planejamento da Presidência da República. Coordenador técnico da elaboração do III Plano Nacional de Desenvolvimento (III PND). Economista-chefe e gestor de programas especiais de exportação (Befiex) no Ministério da Indústria e Comércio. Secretário do planejamento de Minas Gerais (governo Tancredo Neves), presidente do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Participou intensamente, sempre ao lado de Tancredo Neves, de todo o histórico movimento das Diretas-Já para Presidente, da construção da candidatura e da campanha que elegeu o estadista são-joanense presidente da República em 15 de janeiro de 1985, marco do reencontro do país com a democracia.
Obras de referência: História indiscreta da ditadura e da abertura no Brasil (Ed. Record, Rio de Janeiro,1998); Matarazzo: a travessia e Matarazzo: colosso brasileiro (Editora Planeta do Brasil, São Paulo, 2004), de Brasília Kubitschek de Oliveira (Ed. Record, Rio de Janeiro, 2001) e Tancredo vivo: casos e acaso (Ed. Record, Rio de Janeiro,1995), é autor de outras obras de referência, como Memória Viva do Regime Militar (Ed. Record, Rio de Janeiro,1999), A história viva do Banco Interamericano do Desenvolvimento-BID (Ed. Record, Rio de Janeiro, 2002), Juscelino Kubitschek (Série Obras em Parceria da Câmara dos Deputados e Senado Federal, Brasília, 2011), O essencial de JK (Ed. Planeta do Brasil, São Paulo, 2013), A saga da família Klabin-Lafer e The Saga of the Klabin-Lafer Family (Klabin S.A., São Paulo, 2020), A saga do conde Matarazzo: de mascate a maior empreendedor do Brasil (no prelo).
Colaborou em numerosas obras coletivas, como o livro de arte Juscelino Kubitschek: uma fotobiografia (Fundação Padre Anchieta-TV Cultura de São Paulo, São Paulo, 2024); A história da corrupção no Brasil(Ministério Público do Estado de São Paulo-Editora Mackenzie, São Paulo, 2019) e Todas as gerações: o conto brasiliense contemporâneo (Brasília: LGE Editora, 2006).v
Consultor histórico, fonte, autor de obras de base e colaborador em minisséries da televisão brasileira de ampla repercussão, como JK (inspirada em Brasília Kubitschek de Oliveira),da Rede Globo de Televisão, e mais de dezena de documentários cinematográficos de projeção nacional, como Brasília: a construção de um sonho (2010), do Discovery Channel; JK: um cometa no céu do Brasil (2002) e 101 anos de nascimento de Juscelino Kubitschek (2003), da TV Senado; Tancredo: a travessia (2011) e JK: o menino que sonhou um país (2002), da Caliban Produções Cinematográficas; JK no exílio (2010), da Geofilmes e Cinergie Produções; JK: o reinventor do Brasil (2024), da TV Cultura de São Paulo, Bernardo Sayão e a estrada para Belém (2025), da HB Videofilmes.
Consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID, da TV Globo e da TV Cultura de São Paulo, conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, colaborador do jornal Folha de S. Paulo, membro da Academia Mineira de Letras, da Academia Brasiliense de Letras, da Academia Luzense de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
É pai de Fabiano, Juliano e João Pedro Vaske Costa Couto e avô de Felipe, Gustavo, Júlia e Manuela Cabeceira Costa Couto.
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