A primeira edição do Prêmio Ciccillo Matarazzo Italiani all’Estero destacou a veia empreendedora de muitos italianos que vieram para o Brasil e que, com esforço e determinação, realizaram o sonho de fazer fortuna na América.
A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de maio, nas cidades de Roma e Milão, na Itália. A programação incluiu um evento comemorativo pelos 150 anos da imigração italiana, realizado pela Organização Internacional Ítalo-Americana (IILA), em colaboração com o Lide Itália, além de um pronunciamento do homenageado na Comissão de Relações Exteriores do Parlamento Italiano.
O homenageado
Maior produtor de álcool e açúcar do mundo
Rubens Ometto Silveira Mello é um dos empresários mais atuantes no setor do agronegócio no Brasil. Controla um dos maiores grupos empresariais do País e é o maior produtor de açúcar e álcool do mundo. Fundou a UNICA – Associação Brasileira da Indústria de Cana e, desde 2015, é membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI). Atualmente, preside os Conselhos de Administração da Cosan, Raízen, Compass Gás e Energia, Comgás e Rumo, além de ser acionista controlador dessas empresas.
Nascido na Itália, Rubens Ometto é bisneto de Antonio Ometto, um imigrante que saiu de Padova, na Itália, em 1887 e se estabeleceu no interior do estado de São Paulo para trabalhar na agricultura.
Engenheiro politécnico formado pela USP, aos 24 anos Rubens Ometto foi contratado como diretor financeiro de um dos maiores complexos industriais do Brasil, a Votorantim. Entrou na empresa de sua família em 1981 e, aos 38 anos, em 1988, assumiu a presidência das duas usinas de açúcar criadas pelo seu avô. Neste período, Rubens Ometto ampliou e diversificou a companhia transformando o grupo Cosan em um dos maiores grupos econômicos do país, que fatura, atualmente, 50 bilhões de euros por ano.















A segunda edição do ‘Prêmio Ciccillo Matarazzo Italiani all’Estero’ homenageou, em cerimônia no Terraço Itália, em são Paulo, realizada em 18 de junho, duas grandes referências da comunidade ítalo-brasileira na área da literatura.
Os Homenageados
Tradutora e romancista
Nascida em 1941 em Domodossola, norte da Itália, Aurora Fornoni Bernardini é tradutora, romancista, pesquisadora e professora universitária conhecida por traduzir obras como “O deserto dos tártaros”, de Dino Buzzatti, “O exército de cavalaria”, de Isaac Babel e “Indícios Flutuantes”, de Marina Tsvetáieva. Por este, concorreu ao Prêmio Jabuti em 2007 na categoria Tradução e repetiu o feito em 2023, vencendo então pela tradução coletiva de “Ulisses”, de James Joyce.
Graduada em Letras em 1963 pela Universidade de São Paulo (USP), com ênfase na língua e literatura inglesas, Aurora teve a maior parte de sua formação acadêmica na mesma instituição. Concluiu a graduação em curso livre de língua russa em 1966, o mestrado em Língua e Literatura Italiana em 1970 e, por fim, atingiu o grau de doutora pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo com foco na Literatura Brasileira. É livre-docente desde 1978 e atua no Departamento de Línguas Orientais da mesma faculdade em que se formou doutora.
Fez parte de diversos corpos editoriais, a exemplo da revista Política (1979-1984), Literatura e Sociedade e Revista Magma — estas últimas veiculadas à FFLCH-USP. Também é consultora científica de instituições como a FAPESP, FUNDUNESP e Universidades Federal de Lavras. Hoje é professora sênior da Universidade de São Paulo.
“Meu pai, que era profissional da área de Engenharia Química, desembarcou no
em 1954, a convite do Conde Chiquinho Matarazzo. Foi assim que fiquei com duas pátrias: a Itália milenar e o Brasil, país novo e generoso. Como professora, reconheço que não teria podido escolher uma profissão melhor ao trazer o que aprendi na Itália e o que continuo aprendendo aqui”
– Aurora Bernardini
Poeta e romancista
Nascido no Rio de Janeiro em 1963, Marco Lucchesi é poeta, romancista, memorialista, ensaísta, tradutor e editor, colecinando ampla produção literária, na qual destacam-se os romances “O dom do crime”, “O bibliotecário do imperador” e “Adeus”. Escreveu, ainda, os livros de poesia Clio, Sphera e Maví, além de livros de memórias, ensaios e uma novela. Atualmente é diretor da Biblioteca Nacional e foi presidente da Academia Brasileira de Letras.
Professor titular de Literatura Comparada na Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), formou-se em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e recebeu os títulos de Mestre e Doutor em Ciência da Literatura, pela UFRJ. É pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e foi pesquisador visitante do Centro de Estudos da Ásia Central, Cáucaso, Turquia, Tibet e Irã na Universidade Oriental de Nápoles (UniOr).
Faz parte do corpo editorial de revistas como Poesia Sempre, Tempo Brasileiro e Mosaico Italiano e foi diretor, entre 2012 e 2017, da fase VIII da Revista Brasileira da ABL, coordenando a publicação de 23 edições. Foi colunista do Jornal O Globo de 2010 a 2018 e assinou a curadoria de exposições da Biblioteca Nacional, Câmara dos Deputados e Museu Vale do Rio Doce.
“Muitos outros italianos também mereceriam a mesma homenagem, pois contribuíram anonimamente para a construção de suas vidas no Brasil, sem buscar a posteridade efêmera, mas sim atuando com ética, sonharam e trabalharam até o último dia possível”
– Marco Lucchesi





























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